Adrien Pichoud Economist
Maurice Harari Multi Asset Portfolio Manager
Wanda Mottu Analyst
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Economia mundial - Crescimento global sincronizado, depois de muito tempo

Na conjuntura atual, há muitos motivos para que os investidores se preocupem. No entanto, pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, o crescimento econômico não é um deles. As maiores economias do mundo ainda estão se expandindo, com taxas de crescimento no potencial ou acima dele. Dados do PIB do 2º trimestre confirmaram a solidez da zona do euro e do Japão (+0,6% trimestre a trimestre, cada), a recuperação da economia dos EUA depois de um 1º trimestre fraco (+0,75% trimestre a trimestre no 2º trimestre) e a estabilidade do crescimento chinês acompanhando a meta de governo (+1,7% trimestre a trimestre).

Pela primeira vez desde 2008, o crescimento global está sincronizado e as taxas de crescimento anual do PIB do 2º trimestre são semelhantes nos EUA, na zona do euro e no Japão.

Crescimento global sincronizado pela primeira vez desde 2009

Fonte: Factset, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Crescimento global sincronizado pela primeira vez desde 2009

Crescimento equilibrado dos EUA estimulado pelo consumo final e investimento em negócios

Fonte: Factset, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Crescimento equilibrado dos EUA estimulado pelo consumo final e investimento em negócios
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Estados Unidos - De volta ao crescimento econômico equilibrado

Depois do impacto negativo da queda nos preços de petróleo na economia dos EUA e na conjuntura de investimentos por dois anos consecutivos, a economia dos EUA finalmente retomou uma padrão de crescimento mais equilibrado. Embora a taxa de crescimento de PIB absoluto não seja excepcional, agora ao menos se dá em duas fontes, em vez de confiar somente nos gastos do consumidor.

A recuperação em lucros não financeiros, até 5,4% no 2º trimestre e 7,1% desde o ano passado, incentivou o investimento em negócios. Além disso, a criação contínua de empregos, apesar das baixas taxas de desemprego, também ajudou a estimular os gastos domiciliares. Mesmo assim, o mercado de trabalho cada vez mais apertado até agora tem fracassado em provocar pressões de aumento de renda.

Este reequilíbrio dos fatores de crescimento nos EUA torna a expansão atual mais resiliente a choques externos. Na prática, o impacto dos furacões recentes sobre o PIB se manterá moderado e temporário.

03

China - Economia estabilizada antes do Congresso Nacional

Com a abertura do 19º Congresso Nacional do Partido Comunista em 18 de outubro, Xi Jinping poderá destacar o sucesso do seu primeiro mandato no comando com o pouso suave do crescimento econômico da China. Durante o ano passado, o crescimento do PIB da China estabilizou entre 6,5% e 7%, como resultado de uma política fiscal e monetária direcionada. O yuan reverteu suas perdas de 2016 em relação ao dólar dos EUA e agora está em 7% em relação ao dólar.

Esses avanços são bem-vindos em comparação ao início de 2016, quando o temor de que o pouso difícil da China estivesse influenciando as perspectivas globais de crescimento e levando o Fed a postergar a normalização de taxas.

Os últimos dados apontam para uma continuação desta tendência positiva, com o PMI nos setores industriais e de serviços com uma trajetória ascendente. Embora este cenário não consiga ofuscar os problemas de dívida privada e rápido aumento de crédito, no curto prazo não há nuvens visíveis no horizonte econômico chinês.

O crescimento do PIB estabilizou e os índices de PMI são tranquilizadores

Fonte: Factset, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

O crescimento do PIB estabilizou e os índices de PMI são tranquilizadores

Sem avanços nas tendências inflacionárias de médio prazo

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Sem avanços nas tendências inflacionárias de médio prazo
04

Inflação - Sem pressão ascendente nas economias desenvolvidas

Apesar da conjuntura econômica global amplamente positiva, melhoria nos mercados de trabalho e aumento nos preços das commodities, a inflação continua enfraquecida.

Analisando as expectativas de inflação em médio prazo, por cinco anos, o avanço nem mesmo é visível. Nos EUA, elas estão voltando às baixas do ano passado, depois dos solavancos causados por Trump. Na zona do euro, elas continuam abaixo da meta do BCE. No Japão, elas estão próximas de zero, destacando, como consequência, a falha da Abenomics para reiniciar as dinâmicas inflacionárias no arquipélago.

A evolução da inflação como um todo é crucial para compreender o comportamento do Fed, do BCE e do Banco do Japão. Embora eles estejam se desviando da normalização, a falta de inflação até agora os impede de adotar movimentos muito audaciosos. Isso pode mudar se houver uma melhoria em algum desses índices.

05

Bancos centrais - Declínio nas expectativas de alta da taxa

Algo peculiar ocorreu durante o verão em relação às expectativas baseadas em mercado da política monetária nos EUA e na Europa. Ainda que o BCE e o Fed estejam cada vez mais dando sinais de normalização da política monetária, a probabilidade de um aumento na taxa nos próximos 18 meses continua caindo.

No fim de junho, a probabilidade de um aumento na taxa de 25 pontos-base era próxima de 100%. Esse cenário era baseado em contratos futuros, aumentos do Fed e no "Discurso de Sintra" de M. Draghi, que reconhecia a redução de riscos na zona do euro.

Desde então, a probabilidade de aumento na taxa diminuiu significativamente. A inflação continuamente baixa é certamente parte da explicação. O foco dos bancos centrais em gestão de balanço patrimonial (redução do QE na Europa, liberação do balanço patrimonial nos EUA) também desempenhou um papel. No entanto, essa tendência pode ainda refletir a crescente percepção de que, em uma conjuntura de baixa inflação e alto endividamento, a capacidade dos bancos centrais de apertarem as condições financeiras é estruturalmente limitada, independentemente do cenário de emprego e crescimento.

Probabilidade baseada em mercado do declínio nas altas da taxa durante o verão

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Probabilidade baseada em mercado do declínio nas altas da taxa durante o verão

Os furacões provocaram um pico nos preços de algumas commodities

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 8 de setembro de 2017

Os furacões provocaram um pico nos preços de algumas commodities
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Mercados - O impacto dos furacões Harvey e Irma

No Golfo do México, os furacões Harvey e Irma causaram grandes danos no sul do Texas, na Flórida e no Caribe. Contudo, eles tiveram um impacto limitado nos mercados financeiros e parece improvável que causem incerteza no atual cenário favorável de crescimento. De fato, o Congresso dos EUA evitou a paralisação do governo, com a alocação de USD 15 bilhões e um aumento, por três meses, do teto da dívida para ajuda às vítimas do desastre.

Ainda assim, os furacões tiveram um forte impacto em setores específicos, como resseguro (o setor com o pior desempenho S&P500 desde meados de agosto). Os preços da gasolina aumentaram 20% depois que as grandes refinarias na costa do Texas ficaram inativas. Os preços do suco de laranja tiveram um aumento parecido, à medida que a ameaça do furacão Irma
se tornou mais tangível.

07

Ações - O euro em ascensão impacta negativamente as ações europeias

Desde a eleição presidencial em maio, as ações europeias, o mercado mais disputado pelos investidores, estão sob pressão, principalmente devido à força do euro.

As ações europeias têm atraído muito afluxo depois da vitória de Emmanuel Macron, enquanto o panorama geral na Europa se desenvolve na direção certa. Este cenário desenvolvido à custa do menor risco político (nos EUA, o "Trump Trade" está se dissipando), uma dinâmica econômica positiva e em evolução em muitos países europeus, associado a valorizações interessantes (em comparação a outros mercados de ações do mercado desenvolvido) foi a principal razão pela qual os participantes de mercado preferiram essa classe de ativos.

Ao mesmo tempo, o começo do verão observou o BCE elevar o tom nas declarações (deixando a porta aberta para uma possível diminuição no lastro, neste outono), provocando um euro mais forte que impactou negativamente empresas europeias, principalmente as exportadoras.

Por fim, o Euro Stoxx 50 e a taxa de câmbio euro/dólar tiveram retornos de -6,1% e +9,0% (e acumulado do ano de +4,0% e +13,1%), respectivamente, desde 8 de maio.

Índice Euro Stoxx 50 e evolução da taxa de câmbio à vista euro/dólar

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 1º de setembro de 2017

Índice Euro Stoxx 50 e evolução da taxa de câmbio à vista euro/dólar

O preço do ouro (USD/oz) e a evolução (do rendimento) dos títulos do governo dos EUA indexados pela inflação

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 1º de setembro de 2017

O preço do ouro (USD/oz) e a evolução (do rendimento) dos títulos do governo dos EUA indexados pela inflação
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Commodities - O ouro está brilhando

O ouro cumpriu seu papel como porto seguro durante o mês de agosto no contexto da intensificação das tensões em relação à situação geopolítica na Coreia do Norte.

Além disso, no verão, a abordagem mais neutra do Fed no que se refere ao aumento de suas principais taxas em setembro contribuiu também com a redução na pressão ascendente no dólar e, por consequência, empurrou os preços do ouro para cima.

Recentemente, o último relatório de emprego dos EUA e as amostras de inflação foram mais fracos do que o esperado e, até certo ponto, limitaram os lucros para o dólar, enquanto as taxas de juro estavam dando suporte ao ouro.

De modo mais amplo, em comparação com taxas reais menores, os metais preciosos estavam oferecendo uma fonte alternativa de rendimentos para os investidores, especialmente com muitas classes de ativos posicionadas no grupo caro.

Neste contexto, os metais preciosos encerram o mês com aumento de até 3,9% (+14,5% no acumulado do ano), a USD 1.320/oz, enquanto, no mesmo período, os títulos de 10 anos do tesouro dos EUA despencaram 17 pontos-base (-32 pontos-base no acumulado do ano).

09

Forex - O diferencial de taxa não explica a fraqueza do dólar dos EUA

O euro aumentou até 13% em relação ao dólar dos EUA desde o começo do ano, com a maior valorização tendo ocorrido desde abril. Depois de atingir uma alta de 14 anos no fim de 2016, o dólar tem estado indistintamente mais flexível ao longo de 2017. Apesar dos dois aumentos de taxa do Fed, o dólar sofreu um recuo acentuado em relação ao iene japonês, à libra esterlina, ao yuan chinês e à maioria das moedas dos mercados emergentes.

No entanto, parece que a relação entre diferenciais de taxa e movimentos da moeda afrouxou de algum modo em 2017. Ainda que as taxas dos EUA tenham apresentado menor inclinação, a magnitude do movimento não foi muito pronunciada. As taxas de longo prazo também tiveram uma inclinação descendente em outros mercados.

Um declínio mais acentuado do dólar do que os diferenciais de taxa sugerem

Fonte: Factset, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Um declínio mais acentuado do dólar do que os diferenciais de taxa sugerem

Regimes de volatilidade comprimida para todas as classes de ativos, exceto petróleo

Fonte: Bloomberg, SYZ Asset Management. Dados de: 31 de agosto de 2017

Regimes de volatilidade comprimida para todas as classes de ativos, exceto petróleo
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Mercados - Volatilidade historicamente baixa persiste apesar da incerteza política e geopolítica

O tema de baixa volatilidade nos mercados financeiros tem sido amplamente discutido neste ano, considerando que diversos indicadores atingiram níveis historicamente comprimidos. Entre as principais classes de ativos, somente o petróleo continua no regime de volatilidade relativamente alta, como tem se mantido desde o colapso dos preços em 2014. Todos os indicadores de volatilidade para as ações dos EUA (VIX), ações europeias (V2X), moedas (CVIX) e títulos (MOVE) evoluíram a níveis baixos recordes ou próximos a eles.

Ainda assim, em agosto, houve eventos que poderiam (ou deveriam) ter aumentado a volatilidade. A instabilidade política nos EUA, especialmente a rotatividade no alto escalão da administração Trump, poderia ser um gatilho. O aumento das tensões com a Coreia do Norte, com um míssil balístico sobrevoando o Japão, provocou um aumento na volatilidade, contudo, somente por um curto período, antes que voltassem a se estabelecer no seu regime comprimido. É possível refletir sobre o que seria necessário para observar um aumento durável da volatilidade
em mercados financeiros.